sexta-feira, 1 de novembro de 2013

20 EXEMPLOS DEPLORÁVEIS DE PRIVILÉGIO BRANCO


1- Por conta do privilégio branco, você nunca terá que se preocupar em tornar-se vítima de policiais. Lembre-se de Amarildo, do menino Juan, e tantos outros. Não é uma coincidência que centenas de incidentes como estes vêm acontecendo há anos.

2- Felizmente, você nunca terá que saber o que se sente ao ver a morte de seu filho adolescente ser comemorada ou ridicularizada. Sim, como no caso de alguém vestido como Trayvon Martin*.

3- Por causa do privilégio branco, você nunca terá que informar seus filhos das duras realidades do racismo estrutural.

4- Privilégio branco significa que você pode ser articulado e falar bem, sem as pessoas fiquem "surpreendidas".

5- Com o privilégio branco, você nunca saberá o que é ter a seguinte estatística que paira sobre sua cabeça: De acordo com um relatório dos Estados Unidos, um terço dos homens negros daquele país irão para a prisão, pelo menos uma vez na vida.


6- Você pode vestir e agir como desejar, sem ser rotulado como um bandido, malandro, vagabundo, etc. Todo mundo quer "agir como um negro", mas ninguém realmente quer ser negro e sofrer as consequências neste país.

7- O Privilégio branco permite você falar sobre qualquer assunto em particular, sem ser o único representante de sua raça inteira. O Privilégio branco permite acreditar que todas as pessoas não brancas pensam da mesma forma e partilham pontos de vista semelhantes.

8- Privilégio branco significa que ninguém questiona por que você tem um ótimo emprego, e se presume que estava altamente qualificado para exercê-lo.

Além disso, presume-se que você entrou naquela prestigiosa universidade com base no "mérito" e não porque uma "determinada quota tinha que ser preenchida."

9- Privilégio branco significa não ter que se preocupar com o seu cabelo, cor da pele ou acessórios culturais, como a razão de você não conseguir um emprego.

negros estao em 80 dos casos de trabalho escravo no pais Negros estão em 80% dos casos de trabalho escravo no país

10- Privilégio branco significa que você não tem que se preocupar em ser vigiado em uma loja, só porque a tonalidade de sua pele é um pouco mais escura do que a das outras pessoas no ambiente. As pessoas não brancas são vistas como pouco confiáveis.

11- Ter o privilégio branco significa que as pessoas nunca vão rotular você como um terrorista.

12- Privilégio branco significa não ser afetado por estereótipos negativos,que foram tão perpetuados e enraizados pelas pessoas brancas na sociedade brasileira, que as pessoas acreditam que eles sejam verdade. Algo como: " Homens negros não gostam de trabalhar ". Ou " mulheres negras tem apetite sexual insaciável."

13- Privilégio branco significa que você nunca tem que explicar o porquê apropriação cultural é uma coisa ruim.

14- Privilégio branco significa não ter que se preocupar em ser parado e revistado.

15- Se você se beneficia de privilégio branco, nunca vai ser dito para "acabar com a escravidão.” Irônico, não?


16- Privilégio branco significa que você nunca está só a sua própria pessoa.
Por exemplo, Nicki Minaj é muitas vezes referida como a " Lady Gaga negra". Eu acho que as pessoas negras não podem ser peculiares ou excêntricas.

17- Se beneficiar do privilégio branco significa que você pode andar na Terra sem saber de sua cor. As pessoas não brancas não tem esse luxo.


18- Sua religião é respeitada, e não tem que fazer passeata contra intolerância religiosa, quando se tem o privilégio branco.


19- Quando se tem o Privilégio branco, a ajuda Emergencial de renda é dada pelo BNDES, recebe o nome de "empréstimo".

20- Privilégio Branco ser chamado de senhor em blitzes policiais, enquanto o negro é sempre visto como ameaça e marginal.


FONTE: Traduzido e adaptado por Max Laureano a partir do texto de Michael Blackmon," 17 Harrowing examples of White Privillege".

*Trayvon Martin: adolescente americano, assassinado por um vigia branco, que afirmou ter atirado ao confundir o capuz que Trayvon vestia com um turbante.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Louvor do Revolucionário Por Bertold Brecht




Quando a opressão aumenta
Muitos se desencorajam
Mas a coragem dele cresce.
Ele organiza a luta
Pelo tostão do salário, pela água do chá
E pelo poder no Estado.
Pergunta à propriedade:
Donde vens tu?
Pergunta às opiniões:
A quem aproveitais?

Onde quer que todos calem
Ali falará ele
E onde reina a opressão e se fala do Destino
Ele nomeará os nomes.

Onde se senta à mesa
Senta-se a insatisfação à mesa
A comida estraga-se
E reconhece-se que o quarto é acanhado.

Pra onde quer que o expulsem, para lá
Vai a revolta, e donde é escorraçado
Fica ainda lá o desassossego.

Bertold Brecht (Tradução de Paulo Quintela)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Os Radicais Livres na Internet

Internet_Troll


Por Antonio Engelke


Há algo de significativo quando perspectivas políticas conflitantes convergem acerca de uma determinada questão. Criticada à direita e à esquerda com argumentos semelhantes, ainda que as razões de fundo possam variar, a internet é ora apresentada como o lugar por excelência da boataria e da insegurança (O Globo), ora como o espaço que favorece brucutus cujos “soluços de presunção opinativa” espalhariam estupidez e ódio, impedindo a reflexão ponderada e a construção de diálogos frutíferos (Carta Capital). A imprensa brasileira não está sozinha. Suas críticas ecoam pesquisas de searas tão distintas quanto psicologia cognitiva, crítica literária, sociologia e ciência política. O argumento foi bem colocado pelo jurista Cass Sunstein: se uma cultura política democrática depende, entre outros fatores, de um amálgama entre a diversidade de perspectivas e a sobreposição de consensos – o que significa dizer que indivíduos precisam ser expostos a pontos de vista e ideias que não teriam procurado por conta própria, e possuir um conjunto compartilhado de crenças e experiências comuns –, então a grande imprensa desempenharia um papel muito mais importante para a manutenção da saúde da democracia do que a internet, precisamente porque oferece um cardápio de perspectivas variado e proporciona uma base comum de compreensão mútua, indispensável à formação da agenda pública. A internet, ao contrário, seria o espaço dos nichos, da navegação customizada, feita sob medida para as preferências de cada um, e os mecanismos de filtragem de sites como Google e Facebook contribuiria para aprofundar ainda mais esta tendência à personalização e ao isolamento.
Contra Sunstein, pode-se sempre observar que a própria definição do que conta como radical não é neutra, dado que pressupõe um padrão arbitrário de normalidade a partir do qual tudo o que se afasta dele aparecerá então como extremado. Mais ainda, Sunstein cai vítima dos pressupostos normativos do deliberacionismo, pois enxerga a diferença como um problema a ser superado, não como um aspecto positivo e mesmo essencial à democracia, desconsidera o papel do poder no processo de deliberação, e falha em conceitualizar adequadamente a base intersubjetiva do sentido e da racionalidade, supondo uma noção ingênua de sujeito autônomo-racional. Quando Sunstein diz que a internet favorece o extremismo, esquece-se de que o ato de denominar uma posição como extrema já é uma operação ideológica, e também de que “a via mediana” não é por definição sempre a mais adequada. E há evidências empíricas que parecem contradizer a tese da fragmentação/polarização. Uma pesquisa do Instituto Pew Center sobre a campanha presidencial norte-americana de 2004, para ficarmos apenas em um exemplo, mostrou que usuários de internet estavam expostos a mais tipos de informações políticas do que leitores de jornais.
Mas e se deliberação e participação não forem co-extensivos, como tradicionalmente se supõe? Eis o dilema diante do qual nos coloca o trabalho de Diane Mutz: embora a diversidade de redes políticas fomente o entendimento de perspectivas múltiplas e favoreça a tolerância, ela ao mesmo tempo desencoraja a participação política, sobretudo entre pessoas avessas ao conflito. Ou temos uma massa razoavelmente bem informada, exposta a perspectivas conflitantes, porém apática e pouco participativa, ou grupos mais homogêneos e auto-referidos, porém politicamente muito mais atuantes. O preço a ser pago pela polarização é o acirramento de conflitos, por certo. A alternativa – uma população que, por apática, cumpre à risca o roteiro neoliberal, aprofundando inadvertidamente o processo de despolitização da política –, entretanto, não parece exatamente animadora.
Resta apreciar o sujeito desta radicalização, o brucutu ou troll. Se é verdade que o distanciamento e o anonimato propiciados pela internet transformam-na em solo fértil para a boçalidade auto-referida, deveríamos então reconhecer que é justamente o caráter ficcional da rede que permite ao self ser fiel a si mesmo e expressar-se verdadeiramente. Afirmar que blogs, fóruns de discussão e redes sociais constituem, em sua baixeza, farto material etnográfico que nos permitiria desnudar a mentalidade política de nossos concidadãos, é repisar o óbvio. Podemos ir além, e perguntar se a própria ênfase no aspecto tecnológico do problema não seria uma forma de fetichismo. Não se trata de negar os possíveis a que a internet dá ensejo. Tecnologias podem estimular a adoção de certos comportamentos; se são tornados mais fáceis, tendem a se disseminar. Mas será que o protagonismo da tecnologia, aliado ao lamento diante da rarefação das virtudes republicanas, são as bases a partir das quais deveríamos pensar o problema das interações em rede, e de seus efeitos políticos?
A resposta começa por reformular a pergunta: de onde viria este nosso assombro, ou que características deve necessariamente ter o pano de fundo perante o qual o comportamento do brucutu irá sobressair de modo a gerar repulsa? O diagnóstico a respeito de sua atuação é também uma condenação, erigida sobretudo pelo fato de que ele ousa fazer algo hoje praticamente impensável, portanto quase interditado – ser radical. O típico troll das caixas de comentários é alguém que atropela dois dos códigos que em larga medida definem nossa sensibilidade atual, cujas afinidades eletivas talvez não tenham sido ainda inteiramente observadas: a norma multicultural da tolerância e correção política, e a ironia tornada ethos.
Num conhecido ensaio, o escritor David Foster Wallace observou que a ironia extrapolara seus limites naturais de figura de linguagem negativa para se transformar em norma cultural, um ethos escorado na recusa em levar a sério qualquer posição, inclusive e sobretudo a do próprio ironista. Escondida atrás da muralha maleável do não comprometimento com coisa alguma – uma espécie de vacina para qualquer possibilidade de crítica: como atacar aquilo que se assume, desde a saída, um pastiche satírico de si mesmo? –, a atitude irônica inviabiliza pouco a pouco o estabelecimento de relações humanas significativas. Implica num modo de vida defensivo, esvaído de sua própria substância, como se o ironista quisesse se ver livre da gravidade que todo vínculo social inevitavelmente acarreta. “De algum modo”, diz Christy Wampole, “tornou-se insuportável, para nós, lidar com as coisas de maneira direta”. A ironia aparece então como o escudo atrás do qual podemos nos proteger da interação sincera com o Outro, e Foster Wallace acertou quando viu nisso reflexos da lógica cultural do capitalismo tardio, para usarmos os termos de Fredric Jameson. Como observou o crítico Miguel Conde, a ironia ajusta-se perfeitamente ao tipo de formação cultural necessária ao bom funcionamento do capitalismo, na medida em que dissolve tudo aquilo que não for consumo e entretenimento superficiais. Daí podermos entendê-la não apenas como uma questão de “escolha individual, mas também de [uma] necessidade histórica”. De qualquer forma, o movimento da ironia, observa Conde, “é tanto uma recusa à fixidez quanto incapacidade de encontrar um ponto firme”.
A incapacidade de encontrar um ponto firme – não seria justamente o ethos irônico um operador do desmanche das coisas sólidas no ar e, ao mesmo tempo, um de seus efeitos? Se o ironista evita assumir um lugar de fala, colocando-se fora ou acima das perspectivas em diálogo, o típico liberal multiculturalista arroga para si próprio um lugar supostamente neutro. Cada qual a seu modo, ambos expressam uma recusa do sujeito em reconhecer-se implicado em alguma posição. O multiculturalismo, “forma ideológica hegemônica do capitalismo neoliberal” segundo Zizek, pressupõe uma distância que lhe garantiria posição privilegiada porque carente de qualquer conteúdo positivo: esta posição converte-se no ponto vazio de universalidade a partir do qual o multiculturalista esclarecido poderá então avaliar e julgar a alteridade. Somente o outro asséptico é tolerado, no entanto; diante do verdadeiro Outro em sua dimensão de antagonismo radical, a tolerância cessa. O paradoxo, evidentemente, é que a sociedade que provê o horizonte para um tipo de subjetividade que tem como valor central a identidade fluida, aberta e contingente, projeta o próprio sucesso como redundando na realização de uma realidade livre de qualquer limitação imposta pelo antagonismo do real – um mundo inteiramente povoado por multiculturalistas tolerantes liberais. Mas o sujeito que despeja abertamente na internet todo o peso de seu preconceito e provincianismo denuncia, em ato, a falácia do pressuposto multicultural. Não fala a partir de um lugar supostamente neutro; escarnece dele. Aliando narcisismo cognitivo com a ausência de qualquer hesitação, o brucutu absolutiza a própria posição, que, dogmaticamente fechada de antemão para o contraditório, solapa tanto o imperativo de “ouvir o outro lado” que jaz na base da tolerância multiculturalista, quanto a ausênciablasé tipicamente irônica. Toda vez que intervém em alguma caixa de comentário, otroll de internet embaralha as coordenadas que fornecem a localização da linha que separaria bárbaros de civilizados, e o incômodo que causa provem também do fato de que isto nos obriga a puxar a linha para cá, para mais perto do que estaríamos dispostos a conceder.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Francis Dupuis-Déri: 'Black blocs são politizados e expressam revolta contra injustiças sociais'


Estudioso dos jovens mascarados, Francis Dupuis-Déri defende que a tática é uma reação à violência policial, e nasceu na Alemanha de 1980 da convicção de que é preciso ir além das passeatas.


“É preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo.” Essa é uma das explicações que o cientista político Francis Dupuis-Déri elaborou sobre os black blocs durante os mais de dez anos em que estuda a tática dos jovens mascarados que se infiltram nas manifestações populares para atacar símbolos do capitalismo. “Apenas uma ínfima parcela da elite controla os negócios globais. Existe um sério déficit democrático no mundo. As pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente.”

Professor da Universidade de Québec em Montreal (Uqam), no Canadá, Dupuis-Déri conversou com a RBA por e-mail. Respondeu a perguntas sobre a origem histórica dos black blocs, na Alemanha Ocidental, nos anos 1980, e sobre como tem sido a repressão à tática em outros lugares do mundo. Na entrevista, ficamos sabendo que os governos de São Paulo e Rio de Janeiro não foram os únicos a ferir as liberdades civis na tentativa de reprimir o descontentamento dos black blocs. “Os conflitos políticos se polarizam e o Estado age de maneira burra, através da repressão policial e da detenção dos dissidentes.”

Dupuis-Déri é autor de Les Black Blocs, já na terceira edição, e Who's Afraid of the Black Blocs? Anarchy in Action Around the World, que pode ser traduzido como Quem tem medo dos black blocs? Anarquia em ação ao redor do mundo. Embora à distância, tem olhado com atenção para as recentes movimentações dos black blocs no Brasil e no Egito. E não parece surpreso com a multiplicação da tática ao redor do mundo. “O blackbloc é facilmente reproduzível”, diz, ressaltando um dos problemas do grupo: a infiltração. “Na Alemanha, neonazistas organizam black blocs dentro de suas próprias manifestações.”

291013 autor

O que é o black bloc? Um movimento? Uma tática? Uma performance?
Black bloc é simplesmente uma tática, uma maneira de se organizar dentro de uma manifestação. Consiste em se vestir de preto para garantir um certo anonimato. Pelo que conheço, a maioria dos black blocs desfilam com calma nas manifestações. A simples presença deles forma, de certa maneira, uma bandeira preta, símbolo do anarquismo. Vale lembrar que os sindicatos fazem coisa semelhante quando se manifestam: eles se agrupam atrás de faixas, com bandeiras, para que todos os seus membros andem juntos. Nesse sentido, com o black bloc é a mesma coisa.

Quando, como, onde e por que surgiram os black blocs?
O black bloc como forma de ação – ou seja estar vestido de preto e mascarado – surgiu na Alemanha Ocidental por volta de 1980. A tática apareceu dentro do movimento “Autonomen”, que organizava centenas de ocupações políticas e lutava contra a energia nuclear, a guerra e os neonazistas. Os black blocs alemães defendiam as ocupações de prédios contra as expulsões da polícia e se confrontavam com os neonazistas nas ruas. A estratégia black bloc se propagou no Ocidente através da música anarcopunk e de grupos antirracismo. A ampla cobertura midiática das manifestações antiglobalização de Seattle, nos Estados Unidos, em 1999, também contribuiu para a difusão da tática, assim como a internet o faz hoje. A questão, aqui, é que o black bloc é facilmente reproduzível.

O que justifica o surgimento dos black blocs em países da Europa e nos Estados Unidos, onde as necessidades básicas da maioria dos cidadãos, ao contrário do que ocorre no Brasil, já estão atendidas?
No Ocidente, os black blocs se mobilizam há pelo menos 15 anos durante grandes encontros do G8, G20, FMI etc. E dentro do chamado movimento altermundialista (famoso pelo slogan “outro mundo é possível”, cunhado pelo Fórum Social Mundial). Muitos black blocs consideram que a ideologia neoliberal e o capitalismo são responsáveis pelas desigualdades, injustiças e a destruição do planeta. Além disso, essas grandes cúpulas internacionais demonstram que apenas uma ínfima parcela da elite controla os negócios globais e que, consequentemente, existe um sério déficit democrático no mundo. Por fim, a repressão aos movimentos sociais no Ocidente cresceu nos últimos 15 anos. Em países como a Grécia, a situação econômica é catastrófica. Por essas e outras razões, as pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente: é preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo.

Que ideologia norteia a atuação dos black blocs?
Não existe “um” black bloc, mas sim “os” black blocs, que são distintos em cada manifestação. De maneira geral, quem mais participa desses grupos são anarquistas, anticapitalistas, feministas radicais e ecologistas. Segundo minhas pesquisas, os black blocs são geralmente compostos por indivíduos com uma forte consciência política.

Os black blocs são de esquerda ou de direita? É possível defini-los nestes termos?
Principalmente de esquerda e sobretudo de extrema-esquerda. Mas, como o black bloc é reconhecido principalmente pela aparência, pela roupa preta, fica fácil imitá-lo. Já há alguns anos, na Alemanha, país onde surgiu a tática, neonazistas organizam black blocs dentro de suas próprias manifestações. É uma apropriação, uma deturpação.

É possível fazer algum paralelo entre os black blocs e o ludismo do século 19?
De certa maneira, podemos sim fazer um paralelo. Muitos pensam que os ludistas, que destruíam as maquinas têxteis na Inglaterra no século 19, eram apenas românticos contrários ao progresso. Mas, no fundo, eles defendiam um modo de vida comunitário contra o desenvolvimento tecnológico e econômico que mais tarde viria a perturbar profundamente suas vidas. Tudo em nome do lucro de alguns poucos privilegiados. Certamente, essa ideia existe dentro dos black blocs. Há muitos ecologistas radicais que aderem à tática, e suas ações diretas são motivadas pela convicção de que o capitalismo, o desenvolvimento desmesurado e o consumismo vão destruir a vida no planeta.

Por que os black blocs adotaram o vandalismo como estratégia?
Muitos movimentos sociais contam com grupos mais combativos. Isso se aplica, por exemplo, para os movimentos indígenas e alguns grupos sindicais. É importante lembrar que os black blocs não são os únicos que procuram destruir bancos. Durante a crise de 2001, na Argentina, lembro de ter visto mulheres da classe média, de aproximadamente 50 anos, atacarem vitrines de bancos com martelos, porque elas acabavam de perder todas suas economias. Era uma maneira significativa de expressar sua revolta. Ao longo dos séculos, muitas vezes, pessoas arruinadas por dívidas pesadas queimaram bancos e tribunais – onde se mantinha o registro das dívidas. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos depois da independência. Como outras pessoas, os black blocs pensam que é preciso mais que manifestações calmas e pacíficas para realmente perturbar a ordem das coisas e expressar uma revolta legítima contra instituições que destroem suas vidas. Os bancos são uma delas.

Em que sentido atentar contra símbolos do capitalismo (bancos, lojas de automóveis etc.) pode ajudar a superar a ordem capitalista?
Algumas pessoas se manifestam com um cartaz “Foda-se Capitalismo!”. Isso não detém o capitalismo, mas é uma mensagem, uma crítica pública. A ação do black bloc é a mesma coisa, só que mais radical, mais combativa. O alvo é a mensagem. Os críticos dos black blocs frequentemente relatam danos e quebradeiras contra pequenos comércios e usam esse fato para qualificar a tática como violência gratuita e apolítica. Ora, segundo minhas pesquisas, 99% dos alvos têm um significado claramente político: bancos, grandes empresas, grupos privados de mídia, edifícios do governo e da polícia. Mesmo quando um pequeno comercio é alvo, é preciso ser paciente e buscar alguma explicação. Frequentemente, nas semanas seguintes, ficamos sabendo que, por exemplo, era uma represália contra comerciantes que colaboraram com a polícia durante uma manifestação, ou pequenos empresários que costumam a maltratar seus funcionários.

No Brasil, os black blocs apareceram com mais força durante as manifestações de junho. Tanto à esquerda quanto à direita, poucas são as vozes que contestam publicamente essa desumanização dos black blocs. Esse processo de condenação social também foi visto em outros países onde os black blocs atuam há mais tempo? Pode citar alguns exemplos?
No Ocidente, a repressão da polícia contra movimentos sociais progressistas vem crescendo nos últimos 15 anos. Durante a greve estudantil de 2012, no Canadá, mais de 3.500 pessoas foram presas apenas na cidade de Québec. (Québec tem apenas 7 milhões de habitantes e a greve durou 10 meses) A maioria das prisões ocorreu durante manifestações pacíficas. Ao todo, ao longo de toda a greve, apenas algumas vitrines foram quebradas. Nada que justifique tamanha repressão.
Na cidade de Montreal e na cidade de Québec, a legislação municipal também foi modificada para proibir máscaras e obrigar os manifestantes a fornecer antecipadamente o trajeto do protesto. Um militante fantasiado de panda foi preso e teve a cabeça de sua fantasia arrancada. Em um dos meus livros, À qui la rue? Répression policière et mouvements sociaux (A quem pertence a rua? Repressão policial e movimentos sociais, em tradução livre), contabilizei mais de 10 mil detenções contra o movimento altermundialista desde as manifestações de Seattle, nos Estados Unidos, em 1999. As leis antiterroristas editadas após 11 de setembro de 2001 são usadas para criminalizar todo tipo de dissidência. Os conflitos políticos se polarizam e o Estado age de maneira burra, através da repressão policial e da detenção dos dissidentes.

Como a esquerda (movimentos sociais, partidos políticos e intelectuais) costuma reagir à aparição dos black blocs?
Os black blocs parecem não ter muitos amigos. Muitas vezes, os porta-vozes das organizações progressistas, como sindicatos, denunciam os black blocs, dizendo que eles se “infiltram” em “suas” manifestações e que eles só querem “quebrar tudo”. Pessoas de esquerda justificam dessa maneira a repressão e a criminalização da dissidência. Denunciando a “violência”, eles esperem ganhar uma imagem respeitável. Vimos isso em todas as manifestações do movimento altermundialista, desde Seattle, em 1999, até o encontro do G20 em Toronto, no Canadá, em 2010. O problema é que essas forças progressistas praticamente não acumulam ganhos nos últimos 15 anos. Pior, é a direita quem está na ofensiva em todas as partes, e a esquerda recua – pelo menos na Europa e nos Estados Unidos.

A esquerda mais institucional e “respeitável” frequentemente precisa da turbulência e da combatividade da extrema-esquerda para suas manobras no campo político. Na Itália, um grupo contra a construção de um trem de alta velocidade (Movimento No TAV) aplaudiu em Turim um porta-voz que declarou “somos todos black blocs”. No Brasil, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) declarou recentemente apoio e solidariedade aos black blocs. Vemos regularmente testemunhos de manifestantes que não participam dos black blocs, mas que concordam com a tática e inclusive já foram protegidos por eles dos ataques da polícia. Vimos isso em Seattle e no Québec durante a greve de 2012, assim como em outros lugares. Muitos sabem também que os black blocs ilustram um elemento importante dos movimentos de contestação. Para alguns, os black blocs são uma “imagem do futuro”.

Tradução: Delphine Lacroix


domingo, 27 de outubro de 2013

Para entender os Black Blocs





Os Black Blocs não são um movimento ou um grupo organizado aos moldes tradicionais de coletivos e partidos, são uma ideia, um método. São indivíduos que podem ter algum tipo de organização primitiva (normalmente via redes sociais) e se juntam durante manifestações para servir como escudo para o movimento social. É possível que grupos adotem a tática Black Bloc, mas não há um “grupo” Black Bloc.
Como já escrevi antes, são uma arma defensiva útil e necessária em tempos de imensa brutalidade policial. Não à toa, foram elogiados pelos professores do Rio em greve e são visto com os salvadores por muitos que se encontraram diante da violência policial e veem neles um alento, uma proteção. Não faltam histórias na internet sobre quem dizia até mesmo temê-los, mas que, na hora do aperto, do quase sufocamento com o gás da PM ou quando na direção das balas da polícia, foram salvos por eles.
A função dos Black Blocs não é a de fazer a revolução, mas a de proteger o movimento social. E usam para este fim as “armas” que podem.

Ideologia

É um equívoco acreditar que a tática Black Bloc serve para derrubar o Estado. Ela é fruto de raiva e de necessidade. Não é organizada, e nem sempre é ideológica no sentido de ter um direcionamento anarquista ou marxista. É apenas uma forma que uma parcela da população encontrou de deixar fluir sua raiva contra o Estado e defender manifestações legítimas no processo.
Este aparente vazio ideológico, porém, não deve ser compreendido como alienação ou mesmo como algo que serve de massa de manobra. Não serve. Os integrantes podem não ter um direcionamento ideológico claro, mas sabem quem são seus inimigos.
E, claro, não podemos falar deste esvaziamento ideológico como um fenômeno uniforme entre os Black Blocs, que reúnem desde anarquistas autênticos, passando por estudantes, professores e mesmo moradores de favela e um ocasional desocupado.
Não é um grupo uniforme, até porque não é, enfim, um grupo. Formam-se grupos extremamente diversos durante manifestações (convocados via redes sociais ou espontâneos) com o intuito de autodefesa que adotam a tática de violência revolucionária (tática Black Bloc) e, passado algum tempo, extravasam a raiva nos símbolos mais claros da opressão a que muitos ali são submetidos, notadamente bancos, bens públicos e um ocasional Clube Militar.
A autodefesa popular não pode jamais ser vista como “antipolítica” ou “apolítica”, muito menos “despolitizada”, assim como o repúdio por parte de alguns elementos que formam as linhas Black Blocs dos partidos tradicionais não é antipolítica. O repúdio às instituições carcomidas do Estado e críticas localizadas à atuação partidária (em especial do PT, PMDB e PSDB, todos que se declaram falsamente de esquerda) não podem ser encaradas com uma crítica generalizada à política. Nada poderia ser mais incorreto e distante da realidade.
É inegável, porém, que grupos podem se apropriar deste discurso e o transformar naquilo que muitos temem, num discurso esvaziado e de tons fascistas, mas estes grupos não estão nas ruas (estiveram em algum momento em junho, mas já voltaram para suas casas, para seus grupelhos de galinhas verdes e similares), não representam a maioria daqueles que saem para a luta.
Um grupo não pode ser responsabilizado pela apropriação que outro faz de suas teses, ideias e pensamentos (e ações), assim como o pensamento Black Bloc não pode ser responsabilizado pelo fascismo que uns buscam impor à ideologia.
Ponto importante presente em análises honestas sobre os Black Blocs é o problema da perpetuação do caráter difuso destes, e na possibilidade da violência se tornar um fim em si mesma, da revolta e raiva presentes representarem a totalidade da “alternativa” apresentada pelos grupos que utilizam a tática Black Bloc.
Por outro lado, não é pertinente a crítica de que os Black Blocs, compreendidos por muitos como um grupo, não levariam propostas aos fóruns legítimos, como os fóruns grevistas da SEPE, sindicato dos professores do Rio. Ora, tal afirmação demonstra um profundo desconhecimento do que é a tática Black Bloc e do que ela representa.

Protagonismo

Ao meu ver não é papel dos Black Blocs se preocupar em primeiro lugar com marketing pessoal, senão agir em defesa daqueles que vão às ruas (também é válida a discussão sobre ações ofensivas e defensivas). Até porque, repito, não são um grupo.
Não há erro algum no emprego da tática. A grande questão, no entanto, é a falta de cobertura dada por partidos de esquerda a quem vai para a linha de frente defendê-los. Como já discuti algumas vezes, me parece ser apenas o ranço de algumas correntes marxistas que necessitam sempre estar à frente, sempre ser vanguarda.
Não é produtiva a briga de egos entre grupos que se veem na vanguarda e se sentem acuadosfrente a perda de protagonismo para os Black Blocs. Um sentimento até mesmo burro, visto que partido/movimento social é diferente de Black Bloc, e não eles não disputam entre  si o(s) mesmo(s) espaço(s). Na verdade, caberia aos partidos se aproximar dos Black Blocs, buscando canalizar a raiva dos grupos que adotam esta tática, buscando direcionar e mesmo facilitar a politização de muitos dos adeptos.
Em suma, cabe aos movimentos organizados, aos partidos e movimentos sociais compreender a tática Black Bloc e, ao invés de subirem em pedestais ideológicos e lamberem as feridas da vanguarda perdida, buscar abrir um canal de diálogo com aqueles mais afeitos a isto, criando táticas conjuntas e buscando aprimorar a autodefesa popular.

Esquerda e falsa vanguarda

O que temos hoje são Black Blocs numa ponta, e partidos/movimentos em outra, empedernidos, incapazes do diálogo e da compreensão. Ora, temos uma infinidade de grupos e tendências de esquerda que sequer conseguem sentar numa mesa e dialogar, que o diga quando surge algo mais radicalizado e absolutamente fora de suas órbitas de controle (ou mesmo compreensão).
Ou seja, o grande problema aqui sequer é a incapacidade de partidos dialogarem com os adeptos do Black Bloc, mas a incapacidade da esquerda conversar entre si.
A SEPE, sindicato dos professores em greve no Rio, foi a única organização capaz de compreender até o momento o que são e como agem os Black Blocs. A SEPE abriu diálogo, homenageou e foi defendida pelos Black Blocs.
Setores do PSOL e o PSTU preferem permanecer na posição de falsa vanguarda, enquanto o PT, parte do Estado repressor e aliado de primeira grandeza dos políticos responsáveis pela repressão no Rio, permanece na pura e boçal criminalização (não só dos Black Blocs, mas de todo o movimento social e grevista).
Por mais que “queimar lixos” não contribua para nenhuma revolução, é um primeiro passo para a radicalização do movimento social. Mais produtivo buscar dialogar e entender que simplesmente criminalizar – e nisso realizar o trabalho da mídia, do PT, do PMDB e do PSDB.

E a mídia?

Se dependermos da Globo (ou da Record, ou de qualquer outro veículo da grande mídia) para nos informar sobre as ações Black Blocs, sem dúvida a imagem será negativa, mas a imagem dos professores em greve ou de qualquer movimento social organizado é igualmente negativa pelo prisma da grande mídia, salvo em ocasiões específicas onde apoiar um movimento social ou uma pauta possa ser interessante no ataque a inimigos selecionados em momentos bem específicos.
O que vemos são professores agradecendo aos Black Blocs por sua proteção.
São milhares de pessoas que saem às ruas vendo que os Black Blocs funcionam como uma linha de defesa – ainda que fraca – frente à violência e brutalidade policiais. Como foi dito no Twitter (infelizmente me escapa a autoria), quantas pessoas foram mortas pela polícia e quantas pelos Black Blocs? Ou seja, se estamos falando em “violência”, em “assustar” e mesmo em afastar pessoas de manifestações, creio que a mera presença da PM seja mais “eficaz” que a dos Black Blocs.
Quantos conhecem pessoas que foram agredidas pelos Black Blocs? Aliás, as manifestações pelo país, em especial no Rio, onde a ação Black Bloc vem se mostrando mais intensa, não param de crescer e se radicalizar de diferentes maneiras. Logo, nem a violência repressiva da PM e nem a resposta Black Bloc tem tido “sucesso”, se tomarmos o prisma liquidacionista de setores fanatizados do PT e da mídia, que objetiva enfraquecer as mobilizações. Cai por terra mais uma mentira dita aos quatro ventos.
No fim das contas, “assustar” ou mesmo não ser do agrado da “população em geral” não é definidor de moralidade, utilidade ou viabilidade, pois precisamos compreender por qual prisma essa “população em geral” tem acesso à informação.
Vejam, por exemplo o discurso da mídia sobre protestos na França, com carros queimados. Vandalismo? Não. Apenas manifestações.
Quem está nas ruas lutando sabe do papel dos Black Blocs. E a mídia encontraria qualquer outra desculpa para deslegitimar e esconder as manifestações de professores em greve ou de quaisquer outros grupos sociais em luta nas ruas. Os Black Blocs são apenas a desculpa do momento. Em junho, antes da violência generalizada contra jornalistas obrigar a grande mídia a alterar seu discurso, não eram as reivindicações dos manifestantes a pauta, e sim a violência da PM, que era glorificada.
Além disso é preciso também ter em mente o papel desinformador e mesmo criminosos de quem fica em casa gritando contra o “PIG”, mas fazendo coro a ele durante manifestações, criminalizando professores, Black Blocs e movimentos sociais que se insurgem contra os governos a que estes fanáticos são simpáticos.

Violência Black Bloc versus Violência Estatal

Uma discussão válida, porém, é o papel defensivo versus o ofensivo dos Black Blocs (já declarei minha posição contrária a ações ofensivas enquanto em manifestações, ainda que não descarteo uso da violência revolucionária em casos e momentos específicos), mas jamais culpar a autodefesa popular pela ação policial. E digo ação e não reação por um simples motivo: na ampla maioria das vezes, a PM começa com provocações e violência, respondida pelos Black blocs. A mera presença de pessoas nas ruas é uma provocação para a PM e para o Estado.
Logo, declarar que os Black Blocs “servem” ao Estado na legitimação da violência é descambar para o debate do ovo e da galinha. Um falso debate. E um debate que serve aos propósitos do opressor, pois pinta um quadro em que, sem os Black Blocs, tudo seriam flores e não haveria violência. Os protestos de junho comprovam que este declaração é pura mentira: bastava cruzar uma linha imaginária que a violência policial começava; bastava encarar um PM e a violência começava; bastava ficar parado, que um P2 estratégico lançava um molotov contra seus próprios companheiros… e a violência começava.
Qualquer um que tenha mínima história junto aos movimentos sociais e não esteja no processo de penhora ideológica por este ou aquele partido sabe perfeitamente que a violência estatal é uma constante, independe de “provocação”.
Esta tese quase marilenachauiana de “provocação Black Bloc” não procede. Na verdade é uma falácia tremenda. A PM bate, não importa a presença de resistência organizada.

Conclusão

A principal linha auxiliar da direita no país, hoje, chama-se Partido dos Trabalhadores, cuja maioria de eleitos vota junto com Paes e Cabral, cujos representantes eleitos são responsáveis por violações (caso da Bahia, do Rio Grande do Sul), oferecem a Força Nacional para a repressão a movimentos populares, cuja direção está ligada carnalmente ao PMDB e outros partidos da mesma espécie e, ainda, cuja militância em peso silencia ou mesmo aplaude ações violentas da PM contra a população.
Culpar os Black Blocs por responderem à violência que invariavelmente viria por parte do Estado é culpar a vítima pela agressão sofrida. Temos, sim, é de cobrar uma posição dos partidos estabelecidos, em especial da esquerda, em relação à violência policial. E não apenas uma posição, mas maneiras de se organizar a população para a autodefesa.
Qual o projeto de setores do PSOL, do PSTU, do PCO, dentre outros, para a defesa daqueles que saem às ruas para reivindicar seus direitos frente à violência do Estado? Atacar os Black Blocs não é uma resposta válida.
Sim, os Black Blocs precisam de direcionamento, precisam de maior organização, mas não podem, jamais, ser culpados pela violência do Estado. Cabe aos partidos que se enxergam como vanguarda descerem de seus pedestais e aceitarem o trabalho de politizar as massas, de direcionar e canalizar raivas e anseios.
O Estado é repressor e chegou a hora de alguém se levantar contra isto. E qualquer um que aplauda a repressão, que defenda o uso da Lei de Segurança Nacional, não passa de um fascista.


Fonte: Amálgama