Excelente documentário expondo os planos nazifascistas e a sua derrota para o Exército Vermelho Soviético.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
A Rendição de Berlim - Documentário sobre a derrota nazifascista
Excelente documentário expondo os planos nazifascistas e a sua derrota para o Exército Vermelho Soviético.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Minha viagem à Coreia do Norte
Jornalista dos Estados Unidos visita a República Popular Democrática da Coreia e “corrige” alguns equívocos que a mídia ocidental propaga sobre o país
Marcel Cartier
Tive a oportunidade única de passar vários dias em três partes diferentes da República Popular Democrática da Coreia, mais comumente referida apenas como Coreia do Norte. Aqui estão algumas coisas sobre o país que podem surpreendê-lo.
1. Os americanos não são odiados, mas bem-vindos
O alto nível de consciência de classe dos coreanos faz com que eles não confundam o povo estadunidense com o seu governo. Os coreanos não fazem segredo quanto ao seu desprezo pelo imperialismo dos EUA, mas se você diz que é um estadunidense, a conversa geralmente gira muito mais em torno de temas culturais ou relacionados a esportes do que de política. Na biblioteca The Grand People’s Study House, localizada em Pyongyang, o CD mais popular é o Greatest Hits, dos Beatles, embora Linkin Park também seja bastante solicitado entre a juventude local. Os jovens parecem fascinados pela NBA e sabem muito mais sobre a liga de basquete e seu campeonato do que apenas sobre o ex-jogador Dennis Rodman.
2. Fronteira e alfândega
Muitos dos ocidentais que viajaram de Pequim para Pyongyang comigo estavam preocupados que o procedimento de imigração seria longo e intenso. Todos pareciam muito surpresos que os passaportes foram carimbados, sem perguntas, e que apenas um punhado de passageiros teve alguns itens de suas malas olhados. Antes de viajar, é altamente recomendável por empresas de turismo que as pessoas não tragam qualquer livro sobre a Guerra da Coreia ou itens que estampem bandeiras dos Estados Unidos. Este pode ser um conselho sólido, mas a imigração realmente não parece muito preocupada com o que é trazido para o país.
3. Pyongyang é bonita, limpa e colorida
Provavelmente a cidade mais linda do mundo, Pyongyang está incrivelmente bem conservada. Considerando-se que toda a cidade foi bombardeada pelas forças dos EUA na Guerra da Coreia (que eles chamam de Guerra de Libertação Pátria) e que apenas dois edifícios permaneceram em pé em 1953, é uma realização impressionante. As estátuas e grandes edifícios são inspiradores, assim como são os grandes espaços verdes, onde você pode ver as pessoas relaxando. Há muitos novos prédios surgindo em toda a cidade, mas mesmo os que são evidentemente mais antigos são bem mantidos. Costuma-se dizer que Pyongyang durante a noite é escura, e embora possa ser comparada a uma cidade ocidental, ela tem belas luzes que iluminam muito o centro da cidade.
4. Cabelo a la Kim Jong-Un
Quando eu estava a caminho do aeroporto para o centro da cidade, vi apenas um homem usando o “corte de cabelo a la Kim”, que, aliás, não me pareceu nada bom. Os rumores quanto à obrigatoriedade de todos os homens da Coreia do Norte em idade universitária terem de usar o mesmo corte do líder norte-coreano surgiram após a BBC e a Time veicularem a história de um tabloide sul-coreano. Essa história não só não é verdade, assim como também não é a alegação de que os homens no país só teriam um número seleto de cortes para escolher na barbearia, sancionado pelo Estado.
5. Norte-coreanos sorriem muito
A pergunta que você deve estar se perguntando é: “Mas eles não sorriem porque são forçados a isso?”. Isso seria um grande feito se para todos os risos genuínos que eu compartilhei com os coreanos, eles estiverem apenas rindo “para inglês ver”.
6. Ideologia monolítica não significa personalidade monolítica
Este é um bom lembrete quanto ao fato de individualismo e individualidade não serem a mesma coisa. Na realidade, observando as pessoas interagirem umas com as outras me deu a impressão que a diversidade de tipos de personalidade é tão forte quanto o é no “liberado” Ocidente. As pessoas têm uma divergência de interesses, desde esportes à cultura, e são livres para escolher o que eles gostam e desgostam.
7. As pessoas se vestem incrivelmente bem no país todo
Até mesmo no campo, os coreanos se vestem de maneira muito digna. Não houve um só lugar que viajei onde as pessoas parecessem malvestidas ou vestindo roupas que parecessem ser velhas. Homens e mulheres também não vestem o mesmo estilo de roupa, como somos condicionados a pensar. É comum ver mulheres usando roupas bem brilhantes, incluindo ternos e vestidos tradicionais coreanos de cor pink. Os homens usam gravata, camisas de cola e ternos, mas também não é incomum vê-los em roupas mais casuais, como moletons, dependendo da ocasião.
8. As crianças começam a aprender inglês aos 7 anos
O domínio da língua inglesa, particularmente pela geração mais nova, impressiona. Nas décadas anteriores, a época de aprender inglês era no colegial. Mas isso foi mudado para a terceira série do ginásio agora. Embora muitas crianças sejam tímidas (no final das contas, elas não veem muitos estrangeiros), muitas delas apertaram minhas mãos e até mesmo trocaram poucas palavras em inglês comigo. Entre as línguas populares estudadas no colegial estão o chinês e o alemão.
9. O turismo será incentivado num futuro próximo
Um dos aspectos da economia que serão priorizados no futuro parece ser o turismo. No momento, todo o aeroporto de Pyongyang está em obras – e sendo expandido. Os coreanos estão dispostos a se abrir para o mundo, mas também estão certos de fazerem isso de maneira diferente da dos chineses (após ter estado em Pequim e visto a onipotência de alguns dos piores aspectos da cultural ocidental, isso os dá toda a razão para terem cuidado a esse respeito). A companhia Air Koryo, a qual foi concedida apenas 1-estrela pela companhia SkyTrax, na realidade, foi muito melhor em termos de serviço e conforto do que ao menos um dúzia de outras companhias aéreas que já voei. Eles têm uma nova frota de aviões russos que voam entre Pyongyang e Pequim, proveem entretenimento a bordo ao longo de toda a viagem (o desenho para crianças Clever Raccoon Dog é hilário) e servem um “hambúrguer” (que não é muito bom, mas comível) e uma variedade de bebidas (café, chá, cerveja e suco). Toda a experiência valeria no mínimo 3 estrelas se tivéssemos que avaliá-la para valer.
10. Coreanos estão dispostos a falar sobre seu país de maneira aberta
As pessoas estão bem abertas para falar a respeito dos problemas que o país enfrenta e não se furtam em discutir alguns dos mais difíceis aspectos da vida. Por exemplo, eles falam sobre a “Marcha Árdua” (pense no “Período Especial” em Cuba) quando seca, fome e enchentes somadas à perda da maioria dos parceiros comerciais do país causaram grandes retrocessos ao país que até os anos de 1980 tinha uma qualidade de vida mais alta do que a da sua vizinha Coreia do Sul. Eles também discutem as narrativas em relação à Guerra da Coreia e estão dispostos a um melhor relacionamento com a Coreia do Sul na esperança que aconteça a reunificação. Entretanto, também são bem firmes quanto ao fato de que nunca irão renunciar seus princípios socialistas para facilitar essa reunificação.
11. Cerveja e microcervejarias
Quase todos os distritos do país agora têm uma cervejaria local que provê cerveja para os arredores. Há uma variedade de diferentes tipos que são bebidas por todo o país e a maioria das refeições são servidas com uma pequena quantidade de cerveja. No Kim Il Sung Stadium, onde a maratona de Pyongyang começou e terminou não era incomum ver locais bebendo cerveja enquanto observavam as partidas-exibição entre os times de futebol do país. Pense no estádio dos Yankees, sem a agressividade do público.
12. Tabloides
Havia ao menos 100 estadunidenses ao mesmo tempo que eu em Pyongyang, em grande parte devido aos corredores amadores estrangeiros que tiveram a permissão de competir pela primeira vez na maratona. Um casal disse ser esta sua segunda visita ao país, após o terem visitado no ano passado. Eles mencionaram como estavam um pouco asssustados quando vieram pela primeira vez porque isso foi bem depois de uma história que tinha ganhado as manchetes sobre Kim Jong – um ter matado sua namorada e outras pessoas por terem aparecido em uma fita pornô. O casal falou de como eles entraram em uma ópera em Pyongyang e assim que sentaram perceberam que a mesma mulher que devia estar morta estava sentada bem na frente deles. De fato, uma walking dead. Outras histórias recentes que saíram na mídia ocidental via tablóides sul-coreanos em relação a execuções em massa em estádios ou ao tio de Kim Jong – um ter servido de alimento para um bando de cachorros famintos também são ditas como sem sentido por ocidentais que viajam frequentemente para lá e conhecem bem a situação do país. Isto não é para nada dizer sobre a existência de campos de reeducação política ou prisões, mas para falar sobre uma campanha de demonização contra o país que o distorce completamente e que não ajuda em nada o povo coreano
13. Os coreanos não hesitaram em fazer com que você se divirta com eles
Aconteceu uma série de eventos organizados em Pyongyang por ocasião do aniversário de Kim Il Sung, que é um feriado nacional quando as pessoas ficam dois dias sem trabalhar. Alguns foram organizados publicamente, como as mass dances, em que centenas de pessoas dançam em grandes praças ao som de músicas populares coreanas. Outros eventos envolveram famílias no parque fazendo piquenique enquanto crianças compravam sorvete e vovós bêbadas dançavam de forma hilária porque tinham tido muito soju caseiro. Mas, como em qualquer outro Estado autoritário, você tem que participar! Intimidar-se não é uma opção, já que eles vão te puxar pelo braço e te ensinar a dançar todos os passos mesmo que eles próprios não os estejam fazendo de maneira correta.
Em resumo, eu achei os coreanos do Norte uns dos mais acolhedores e mais autênticos seres humanos que já tive a chance de interagir. Seria tolo referir-se ao país como um “paraíso dos trabalhadores” devido à profundidade de problemas que enfrenta. Como em todas as sociedades, existem aspectos positivos e negativos. Entretanto, considerando que eles têm superado séculos de dominação imperial, a perca de quase um quarto de sua população na Guerra da Coreia e continuam a manter seu sistema social diante de um continuado estado de guerra, eles têm se dado tremendamente bem. Os sucessos em educação gratuita por meio da Universidade, a não existência de sem-teto e um povo orgulhoso e digno deveriam ser apresentados no sentido de se ganhar uma imagem do país mais completa e com mais nuances.
Tenho de dizer que a Coreia do Norte pintada pela mídia burguesa ocidental na verdade fala mais sobre a eficiência de nosso aparato de propaganda e de técnicas de lavagem cerebral do que do deles. O fato que eu até tenho que escrever sobre as coisas surpreendentes que testemunhei é a evidência da séria falta de compreensão que temos sobre o país. Os problemas enfrentados pela Coreia nunca são contextualizados como deveriam ser – como uma nação oprimida com o objetivo de libertar-se da servidão das grandes potências que têm a intenção de devorar cada Estado restante livre de uma unipolaridade que morre.
Ah, e eu quase estava esquecendo sobre as armas nucleares! Bem, vamos considerar se os militares norte-coreanos estivessem realizando exercícios militares anualmente ao largo da costa de Nova Iorque, simulando o bombardeio de Manhattan e a ocupação da totalidade do país, o qual já controla a metade ocidental.
Não seria sensato dado o contexto para os estadunidenses desenvolverem um arsenal nuclear? Os coreanos não são famintos por guerra ou até mesmo “obcecados” com o exército ou forças militares. No entanto, dado a forma como a situação na Líbia foi jogada, eles ainda estão mais convencidos – com razão – de que a única razão pela qual o seu Estado independente continua a existir é devido ao Songun (a política “militares em primeiro lugar”) e a existência de capacidades nucleares. Para ter certeza, eles não têm a intenção de usá-lo a menos que os coloquem na posição de ter de fazê-lo.
É meu desejo sincero que exista um continuado intercâmbio cultural e interpessoal no futuro próximo entre as pessoas da Coreia do Norte e os países ocidentais. Praticamente todas as pessoas que viajaram comigo de volta a Pequim estavam em êxtase de quão diferente sua experiência foi, comparado ao que eles esperavam. Eles – como eu – ganharam muito com a experiência humanizadora de interagir com os coreanos. Embora os ocidentais sejam relativamente livres para viajar muito mais do que os cidadãos da Coreia do Norte, é irônico como os coreanos aparentemente sabem muito mais sobre nós do que nós sabemos sobre eles. Isso terá que mudar nos próximos anos. (LiberationNews.org)
Fonte: Brasil de Fato
quarta-feira, 7 de maio de 2014
As injustiças da Copa do Mundo de 2014 no Brasil
“Afirmamos que a Copa e as Olimpíadas estão a serviço de um modelo de país e de mundo que não atende aos interesses gerais do povo trabalhador e dos setores oprimidos pelo sistema capitalista”, afirma o comunicado da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) que reúne de modo particular as populações mais pobres, atingidas pelas injustiças geradas pela Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Reunidos em Belo Horizonte no “I Encontro dos(as) Atingidos(as) – Quem perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos”, de 1 a 3 de maio de 2014, constatamos que as violações geradas a partir dos megaprojetos e da saga privatista é comum em todas as cidades-sede da Copa 2014. Afirmamos que a Copa e as Olimpíadas estão a serviço de um modelo de país e de mundo que não atende aos interesses gerais do povo trabalhador e dos setores oprimidos pelo sistema capitalista. A Lei Geral da Copa, INCONSTITUCIONAL e autoritária, escancara que o Estado funciona a serviço das corporações e das empreiteiras. Abaixo expressamos algumas dimensões do sofrimento do nosso povo, potencializados pelos megaeventos como a Copa e as Olimpíadas.
Moradia
A Copa intensificou aumento dos despejos e remoções violentas nas cidades brasileiras. Duzentos e cinquenta mil pessoas com suas famílias estão sendo desestruturadas, levadas para longe de seus lugares de origem, causando impactos na saúde, na educação, no transporte público, além da violência física e psicológica. Tem gente com depressão, se endividando, esperando por soluções que nunca chegam. São vítimas da especulação imobiliária que expulsa os pobres das áreas do seu interesse.
Histórias semelhantes de violências contra populações ocorrem em todo o território brasileiro. Não pedimos essa Copa da Fifa. Mais do que barrar a Copa, queremos barrar os despejos e remoções no Brasil. Nossa luta é antes, durante e depois da Copa, para que nenhuma família brasileira sofra a violência e humilhação de um despejo ou remoção forçada. Decidimos sair deste encontro com uma grande união para barrar os despejos e remoções no Brasil. Sairemos juntos daqui numa articulação permanente, e assim estaremos mais fortes. Por um Brasil sem despejos! Brasil sem remoção! Respeito ao cidadão!
Trabalhadores e trabalhadoras ambulantes, catadores e da construção civil
Defendemos e valorizamos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras ambulantes vítimas das arbitrariedades da Fifa e do governo, como a imposição da Lei Geral da Copa que proíbe o comércio de produtos nas proximidades dos estádios. Enfrentamos a repressão por parte das prefeituras municipais que estão “higienizando” as cidades licitando para que grandes empresas controlem as ruas. A Lei Geral da Copa estabelece zonas de exclusão de 2 quilômetros no entorno das áreas da Fifa, estádios e áreas oficiais de torcedores com telões, onde apenas os patrocinadores oficiais poderão comercializar. É necessário fortalecer canais de comunicação para denunciar os casos de impedimento de trabalho e violações ao direito dos ambulantes. Também propomos um boicote aos patrocinadores da Copa, em solidariedade aos ambulantes.
Denunciamos também que as prefeituras tem dificultado o trabalho de catadores e catadoras de resíduos sólidos nas cidades-sede da Copa. Na construção civil a velocidade da execução das obras produziu 8 mortes nas arenas da Copa e mais 3 em outros estádios, e uma infinidade de acidentes graves. Exigimos que se intensifique o controle sobre a segurança dos operários nos canteiros de obra e a garantia plena de seus direitos trabalhistas, como o direito à greve.
Comunicação e Cultura
A comunicação é um direito humano, desrespeitado pela mídia hegemônica e pelo Estado. O oligopólio dos meios de comunicação invisibiliza e tenta calar as lutas populares. Os mesmos que detêm o poder político e econômico, utilizam a mídia para fomentar uma sociedade mercantilizada, excludente, cheia de preconceitos e opressões. Reforçando o extermínio da população negra com a criminalização da pobreza e a esteriotipação da mesma. Enquanto as reais consequências da Copa da Fifa no Brasil são ocultadas.
Reivindicamos a democratização dos meios de comunicação, a partir da revisão do marco regulatório da mídia, incluindo uma revisão da atual regulação das rádios comunitárias para que de fato a comunicação seja um direito humano, que vocalize a realidade do povo brasileiro e que seja diversa, popular e emancipadora. Defendemos o respeito aos midiativistas e à imprensa popular e independente.
Mulheres
As violações históricas sofridas pelas mulheres são acirradas com a Copa. Denunciamos o aumento da exploração sexual e do tráfico de mulheres, o acirramento da mercantilização do corpo feminino - exposto como disponível em diversas campanhas publicitárias, como a da Adidas, tornando-as mais vulneráveis a estupros e assédios de diversas ordens. Atingindo majoritariamente à mulher negra, através da precarização do trabalho e estereótipos mantidos pela mídia e todos os aparatos institucionais.
Pessoas em situação de prostituição também são alvo da violência do Estado, que se intensifica no período da Copa do Mundo com a higienização forçada das ruas, principalmente nas cidades-sede. Ademais, as experiências das Copas da África do Sul e da Alemanha demonstram que os megaeventos mercantilizam as vidas e os corpos das mulheres. O Brasil não pode fazer parte da rota! As mulheres trabalhadoras continuam a ser exploradas e mesmo nas falas críticas às péssimas condições de trabalho, as companheiras são invisibilizadas. Continuaremos na luta por melhores serviços públicos e equipamentos urbanos de qualidade – políticas universais de mobilidade, saúde, moradia e educação são pautas feministas e merecem total atenção.
Diversidade Sexual
Pretendemos também estreitar os laços com os movimentos LGBTT, para somar espaços na luta pelo respeito à diversidade sexual antes, durante e depois da Copa.
Desmilitarização
A repressão do Estado às manifestações populares que questionaram a Copa intensificou o caráter de militarização da segurança pública pautada na identificação dos movimentos sociais como “inimigos internos”. Isto contribuiu também para dar mais força ao processo histórico de extermínio da juventude negra e da periferia pela polícia. A juventude deve ser respeitados em seu direito a se manifestar. O Brasil está vivendo uma escalada autoritária, onde governo e Congresso buscam criminalizar movimentos sociais. Devemos promover lutas contra as leis antiterrorista e anti-manifestações. Defender a anistia dos processados e uma Campanha Nacional pela desmilitarização da Polícia Militar e desarmamento das Guardas Municipais.
O povo palestino foi atingido diretamente pela Copa do Mundo no Brasil, uma vez que há um fluxo importante de financiamento saídos dos cofres públicos para o complexo industrial-militar israelense, sustentando a política do genocídio e o apartheid contra os palestinos.
Comunidades Tradicionais
Entendemos que as injustiças aplicadas aos povos originários e tradicionais se agravam com os megaeventos. O projeto de desenvolvimento trazido com esses eventos impede a demarcação e titulação de nossas terras. O número de lideranças das comunidades tradicionais que estão sendo exterminadas e a intensificação dos conflitos entre indígenas e ruralistas são exemplos disso. A mesma situação enfrenta os/as pescadores/as de áreas extrativistas de pesca que perdem seus territórios de vida ameaçados pela especulação imobiliárias, hotéis, construção de portos, etc.
Vivemos hoje um contexto urbano, onde as lutas das cidades ganham muito mais pauta, mas entendemos que a mesma força que tira o direito à moradia é a que não deixa demarcar os territórios. Repudiamos a PEC 215/00 e outros mecanismos que visam impedir novas demarcações e titulações e abrem precedente para a revisão dos territórios já legalizados. Para enfrentar esta violência, os povos se organizam em mobilização nacional como forma de resistência, numa agenda de luta conjunta que culminará no Encontro Nacional Indígena e Quilombola, entre 25 e 29 de maio, em Brasília. Pela soberania dos povos aos territórios!
Megaeventos e a financeirização da Natureza
A Copa de 2014 está sendo apresentada como copa sustentável, gol verde, parques da copa, copa orgânica, carbono zero, enfim, uma maquiagem verde que busca invisibilizar as violações de direitos, colocando a compensação como fato consumado e validando a economia verde e a mercantilização da natureza como mais uma falsa solução. Haja visto a quantidade de árvores que estão cortadas nas cidades da Copa, defendemos a campanha “Quantas copas por uma Copa? Nem mais uma árvore cortada!”
Crianças e adolescentes
Crianças e adolescentes estarão em situação de extrema vulnerabilidade durante a Copa em virtude das férias escolares, associadas à ausência de políticas públicas. Destaca-se a desvirtuação do papel do esporte, que passa por um duplo processo de elitização. Primeiro, como mercadoria pouco acessível, com ingressos e produtos caros. Segundo, como prática restrita a espaços privados e a setores privilegiados da sociedade. Neste contexto, as grandes máfias da exploração e do tráfico de pessoas poderão atuar com muita facilidade. É necessário e urgente criar campanhas de combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas. Deve ser incluída a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira, o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos das mulheres e crianças e adolescentes. Não à redução da idade penal.
Mobilidade Urbana
Diante do cenário de modelo mercadológico de gestão da cidade, é fundamental reconhecer a bandeira da Tarifa Zero e da PEC 90 (transporte como direito social) como passos para se criar condições para efetivação do direito à cidade e da participação popular na gestão das cidades. Combatemos o modelo de mobilidade urbana que privilegia o transporte rodoviário em detrimento do transporte de massa, ciclovias, etc. Combatemos também a privatização das cidades e de seus espaços públicos como praças, ruas, etc.
População de Rua
A organização da Copa do Mundo tem uma política social para a população de rua: abandono das políticas integradas, fechamento de equipamentos de assistência social (albergues e abrigos) e o aumento da violência e repressão das forças da segurança pública (Guarda Civil, Polícia Militar, etc.). O intuito é expulsar e coibir a população de rua das regiões centrais das cidades-sede da Copa do Mundo, gerando clima de insegurança e medo do que pode ocorrer antes, durante e depois dos jogos. Pelo fim do recolhimento e internação compulsórios.
Copa das Mobilizações
Diante de todo este cenário de violações e demandas concretas das comunidades e populações atingidas, é necessário fazer desta a Copa das Mobilizações. Não queremos a violência do Estado, mas a garantia e o fortalecimento dos direitos. Estar nas ruas durante a Copa do Mundo é um ato de fortalecimento da democracia e de avanço de um novo modelo de país que avance na participação direta do povo e na construção de políticas públicas efetivas em favor da justiça e igualdade social. Conclamamos a população a fazer desta a Copa das Mobilizações, mostrando ao mundo a força e a alegria do povo brasileiro em luta!
“Copa sem povo! Tô na rua de novo!”
Só a luta transforma!! #copapraquem
Fonte: http://www.comboni.org/contenuto/view/id/106931
terça-feira, 6 de maio de 2014
Wallerstein: o sentido histórico da revolta zapatista
Tratada com ironia, mesmo entre certa esquerda, insurreição de 1994 abriu caminho para retomada da ação anticapitalista, quando sistema julgava-se imbatível
Por Immanuel Wallerestein | Tradução: Gabriela Leite
Em 1º de janeiro de 2014, o Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN) celebrou o vigésimo aniversário de sua insurreição em Chiapas. Este ano, eles estão se envolvendo em uma auto-avaliação. Em abril, na página web do EZLN, o Enlace Zapatista, o Subcomandante Insurgente Moisés publicou um editorial sobre a “guerra contra o esquecimento”. Ele diz que em meros dezenove anos, a luta do EZLN “toreou” o sistema que oprime os povos indígenas há 520 anos.
Quais foram as realizações do EZLN? Em que sentido, pode-se dizer que ele teve sucesso? O EZLN tem sido tratado com ironia não apenas pena direita mundial, mas também por certos grupos da esquerda, que o acusam de ser muito irrelevante para a luta mundial contra o imperialismo e o neoliberalismo. O que eles alcançaram, perguntam os críticos? Sua trajetória teria sido mais que um show de relações públicas?
Este tipo de crítica não compreende nada sobre a insurreição. O primeiro feito dos zapatistas tem sido sobreviver contra um exército mexicano que tem se esforçado, há vinte anos, por destruí-los. A ameaça foi evitada não por proeza militar do EZLN (seu poder não pode ser comparado à do exército mexicano), mas por sua força política — tanto internamente, entre os povos indígenas de Chiapas, quanto externamente, no resto do mundo. É essa força que limitou os danos do exército a não mais que perseguições (algumas com assassinatos) nas margens das comunidades anônimas zapatistas.
Qual foi a múltipla mensagem do EZLN, ao governo mexicano e ao mundo, em 1º de janeiro de 1994, quando começou o levante? Primeiro, estavam reivindicando a dignidade dos povos indígenas oprimidos, ao renovar a exigência de exercer o governo de suas próprias comunidades, por meio das próprias populações, coletiva e democraticamente. Em segundo lugar, estavam dizendo que não têm nenhum interesse em chegar ao poder de Estado no México, o que seria, em sua visão, simplesmente trocar um conjunto de opressores por outro. Ao invés disso, demandavam que o governo mexicano reconhecesse formal e sinceramente sua autonomia.
Em terceiro lugar, o EZLN escolheu a data porque marcava a entrada em vigor do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, em inglês). Ao escolher esta data, estavam afirmando sua rejeição ao papel imperialista dos Estados Unidos, no México e em todo o mundo. Quarto: afirmavam que, ao invés de focarem sua ação especificamente em Chiapas, apoiavam as lutas de todos os povos e classes oprimidas ao redor do mundo. Enfatizaram isso ao convocar mais tarde, em Chiapas, o que eles chamaram de reuniões intergaláticas; e ao se recusarem a excluir participantes que eram rejeitados por outros convidados. E em quinto lugar, solicitaram compartilhar estas visões com outros oprimidos no México através do Congresso Nacional Indígena.
O levante do EZLN foi o início de uma contra-ofensiva da esquerda mundial contra o avanço, relativamente breve, da direita mundial, entre 1970 e 1994. A combinação do impacto político e econômico do Consenso de Washington e o aparente triunfo, com o colapso da União Soviética, permitiram à direita sonhar com a dominação permanente do sistema mundial. O que os zapatistas fizeram foi lembrá-los (e o mundo de esquerda) que há, sim, uma alternativa — a de um mundo relativamente democrático e relativamente igualitário.
Em 1º de janeiro de 1994, o EZLN abriu caminho para os protestos bem sucedidos que ocorreriam Seattle, em 1999; e em diversas outras cidades, na sequência — assim como para a fundação do Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre, em 2001. A luta contínua do FSM e do que agora tem sido chamado de movimento por Justiça Global, foi possível por causa do EZLN.
É claro que, como o Subcomandante Insurgente Moisés nos recorda, “não pode haver descanso; é preciso trabalhar duro”. Suponho que esta seja a mensagem definitiva do EZLN. Não pode haver descanso para qualquer um de nós que acredite que “outro mundo é possível”.
Fonte: Outras Palavras
segunda-feira, 5 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Os bananas e o coxinha
Por Alex Antunes
Foi Luciano Huck, após ser assaltado em outubro de 2007, que escreveu a respeito de seu próprio assassinato essa fantasia bizarra: "Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio".
Como se vê, Huck atribuiu a si mesmo uma importância social extraordinária – provavelmente já contando com o sensacionalismo turbinado da mídia nos casos que envolvem, err, celebridades. Mas também nos obriga a lembrar um detalhe. Não era “um relógio” qualquer, era um rolex. De ouro. E um rolex de ouro pode custar até centenas de milhares de reais. Com sua peculiar sensibilidade social, Huck não entendeu que um maluco com muitos milhares de reais pendurados no pulso pode, sim, ser assaltado, e talvez morto. O rolex de Huck, naquele ano, consta, custava R$ 39 mil. No Brasil mata-se por muito (mas muito) menos.
Entre outras respostas contundentes, vieram a do escritor Ferréz (que imaginou o drama do outro lado, o do ladrão) e a de Zeca Baleiro. É uma ponderação de Zeca que me interessa agora: "Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como 'sou cidadão, pago meus impostos'".
Ontem, Luciano Huck fez pior. A história começou no domingo, num jogo na Espanha. Como todo mundo já deve saber, o jogador brasileiro do Barcelona, Daniel Alves, foi alvo de uma banana arremessada. Antes de cobrar um escanteio, em uma inspiração momentânea (pelo menos aparentemente, como veremos), Alves comeu a banana, como se nada estivesse acontecendo. O vídeo correu mundo – mas a coisa não parou nisso.
Continuou, e aumentou, com uma manifestação um tanto esquisita de Neymar, que postou foto também comendo banana, ao lado de seu filho. Esquisita porque Neymar, seu colega de time, já tinha nos explicado no final de 2013 que “nunca foi vítima de racismo – até porque não é preto, né”, reforçando a declaração em mais de uma entrevista.
Talvez Neymar tenha superado a amnésia traumática e lembrado que já foi sim alvo de agressões racistas. Por exemplo na Bolívia, em 2012, quando, ainda no Santos, foi alvo de bananas. Então a tag que lançou junto com a foto, #somostodosmacacos, seria um pouco menos impessoal. Além dele, ao longo da segunda-feira, gente como Alexandre Pires, Michel Teló, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Fátima Bernardes, Ana Maria Braga, Dinho Ouro Preto e Reinaldo Azevedo (!), além do Inri Cristo, postaram suas respectivas (ops) bananas.
Pareceria um caso, sempre meio bobo, de viral-celebridade, se dois desdobramentos não viessem a público: a) a tag #somostodosmacacos foi criada por uma agência de publicidade, a Loducca. Como no caso da cueca, Neymar gosta de fazer publicidade disfarçada. Questionado, um executivo da agência respondeu que “tentar desmerecer o movimento pelo fato de ter uma agência por trás é tão preoconceituoso quanto o torcedor que joga a banana. Por que não pode haver ajuda profissional? Não é uma campanha para vender nada”; b) a loja de Luciano Huck, o primeiro depois de Neymar a postar foto sua (com a esposa Angélica), já tinha pronta para vender uma camiseta com a tag e banana, a R$ 69 reais. Ou seja, se a Loducca só queria “vender boas intenções”, para Luciano Huck isso não era um impedimento. E nem roubar a banana do Andy Warhol na capa do disco Velvet Underground.
A Loducca diz que o próprio Neymar, que não estava nesse jogo, iria comer a fruta em alguma ocasião, e que Daniel o fez por uma incrível coincidência. O que levou Neymar a disparar a campanha. Nem é necessario embarcar na teoria da conspiração de que o próprio arremessador da banana em Villareal já fazia parte da trama – só a mera iniciativa relâmpago de Huck em capitalizar em cima da campanha já gerou um enorme desconforto. Luciano, que não é Hulk e não fica verde, também não fica amarelo em ganhar com a desgraça alheia.
Em 2011, Luciano e a empresa de descontos à qual tinha se associado, a Peixe Urbano, (supostamente) faziam doações paras as vítimas das enchentes naquele ano – mas você tinha que se cadastrar no site, antes de “comprar os cupons de doação”. No mínimo, mesmo que as doações chegassem integralmente (o que é improvável), era um modo de Luciano colocar sua base de fãs e seguidores no cadastro de vendas, usando a tragédia como desculpa.
A casa de Huck na ilha das Palmeiras, em Angra dos Reis, é construída numa área de proteção ambiental. Para se livrar da acusação, Huck contratou o escritório de advocacia da então primeira dama do Rio – e o governador Sérgio Cabral, em 2010, editou um decreto (que logo ficou conhecido como “Lei Luciano Huck”) para resolver o probleminha do apresentador. Não satisfeito, no ano seguinte Huck foi acusado de impedir o acesso à sua “praia particular” com bóias ilegais.
Uma jovem viúva. Uma coxinha destroçada. É difícil imaginar o poderoso “macaco” Huck sendo xingado ou perseguido como um negro, ameaçado de um pipoco grátis (exceto talvez se insistir em andar por aí com seu rolex). Como aconteceu com Oswaldo Zaratini, que na semana passada teve o azar de, sendo negro, ser sequestrado – quando desceu do carro foi morto pela polícia (o sequestrador, branco, sobreviveu).
Alguns comentaristas acharam a tag #somostodosmacacos racista e negativa. Eu tenderia a achá-la boba, além de oportunista – se ficasse no universo dos jogadores e de seus fãs-celebridade. Parece coisa de, err, publicitário. Mas o “roubo” da doença social do racismo no futebol por um playboy amoral e oportunista transforma a coisa toda não só em um escândalo, como em um foco de vergonha alheia lancinante.
Talvez #somostodosbananas fosse mais preciso. Ou #somostodosrecheadosdefrangodesfiado. Eu simpatizo com a idéia de descender do macaco, até porque um homem que cruzasse com uma costela provavelmente geraria um tipo de exoesqueleto, como o Alien.
Talvez descendamos do cruzamento do macaco com o porco, como defendeu há uns meses o geneticista norteamericano Eugene McCarthy. O que daria um bicho menos peludo, inconsequente e agitado, e mais estável e rosado, como um executivo. Ou um apresentador. Faz sentido. #somostodoscinicosoportunistas (não, não somos).
Fonte: Uol
quinta-feira, 1 de maio de 2014
O Dia do Trabalhador com frases de Karl Marx
- "Na relação com a mulher, como presa e servidora da luxúria coletiva, expressa-se a infinita degradação na qual o homem existe para si mesmo, pois o segredo desta relação tem sua expressão inequívoca, decisiva, manifesta, desvelada, na relação do homem com a mulher e no modo de conceber a relação imediata, natural e genérica." [Karl Marx]
- "O tempo é o campo do desenvolvimento humano." [Karl Marx]
- "Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites." [Karl Marx]
- "Do mesmo modo que não podemos julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si mesmo, não podemos tampouco julgar estas épocas de revolução pela sua consciência, mas, ao contrário, é necessário explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito existente entre as forças produtivas e as relações de produção." [Karl Marx]
- "Tudo o que é sólido se desmancha no ar." [Karl Marx]
- "De nada valem as idéias sem homens que possam pô-las em prática." [Karl Marx]
- "O capitalismo gera o seu próprio coveiro." [Karl Marx]
- "O trabalhador só se sente a vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado." [Karl Marx]
- "Os filósofos se limitaram a interromper o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo." [Karl Marx]
- "A história de toda a sociedade até hoje tem sido a história das lutas de classe." [Karl Marx]
- "Ser radical é agarrar as coisas pela raiz, e a raiz para o homem é o próprio homem." [Karl Marx]
- "O povo que subjuga outro, forja suas próprias cadeias." [Karl Marx]
- "O homem faz a religião, mas a religião não faz o homem." [Karl Marx]
- "O primeiro requisito da felicidade dos povos é a abolição da religião." [Karl Marx]
- "As revoluções são a locomotiva da história" [Karl Marx]
- "Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. " [Karl Marx]
- "Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência." [Karl Marx]
- "Se o bicho da seda tecesse para ligar as duas pontas, continuando a ser uma lagarta, seria o assalariado perfeito." [Karl Marx]
- "O que distingue uma época econômica de outra, é menos o que se produziu do que a forma de o produzir." [Karl Marx]
- "A tortura deu lugar às descobertas mecânicas mais engenhosas, cuja produção dá trabalho a uma imensidade de honestos artesãos. " [Karl Marx]
- "Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas." [Karl Marx]
- "Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. «És» menos, mas «tens» mais. Assim, todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça. " [Karl Marx]
- "Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo." [Karl Marx]
- "O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a." [Karl Marx]
- "O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções." [Karl Marx]
- "A religião é o ópio do povo." [Karl Marx]
- "A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo." [Karl Marx]
- "A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos." [Karl Marx]
- "Os operários não têm pátria. " [Karl Marx]
- "As idéias dominantes numa época nunca passaram das idéias da classe dominante." [Karl Marx]
- "A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes." [Karl Marx]
- "O povo que subjuga outro, gera suas próprias cadeias!" [Karl Marx]
- "Os princípios sociais do cristianismo justificaram a escravidão antiga, glorificaram a servidão medieval e sabem da necessidade de aprovar a opressão do proletariado." [Karl Marx]
- "Os comunistas não ocultam suas opiniões e objetivos. Declaram abertamente que seus fins só serão alcançados com a derrubada violenta da ordem social existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder nela, além de seus grilhões. Têm um mundo a conquistar. Trabalhadores de todos os países, uni-vos!" [Karl Marx]
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Facebook: um mapa das redes de ódio
Pesquisa vasculha território obscuro da internet: as comunidades que clamam por violência policial, linchamentos, mortes dos “esquerdistas” e novo golpe militar
Por Patrícia Cornils, entrevistando Fábio Malini | Imagem: Vitor Teixeira
No dia 5 de março o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo, publicou um mapa de redes de admiradores das Polícias Militares no Facebook. São páginas dedicadas a defender o uso de violência contra o que chamam de “bandidos”, “vagabundos”, “assaltantes”, fazer apologia a linchamentos e ao assassinato, defender policiais, publicar fotos de pessoas “justiçadas” ou mortas violentamente, vender equipamentos bélicos e combater os direitos humanos.
Para centenas de milhares de seguidores dessas páginas, a violência é a única mediadora das relações sociais, a paz só existe se a sociedade se armar e fizer justiça com as próprias mãos, a obediência seria o valor supremo da democracia. Dentro dessa lógica, a relação com os movimentos populares só poderia ser feita através da força policial. Qualquer ato que escape à ordem ou qualquer luta por direitos é lido como um desacato à sociedade disciplinada. Um exemplo: no sábado, dia 8 de março, a página “Faca na Caveira” publicou um texto sobre o Dia Internacional das Mulheres no qual manda as feministas “se foderem”. Em uma hora, recebeu 300 likes. Até a tarde de domingo, 1473 pessoas haviam curtido o texto.
Abaixo o professor Fábio Malini explica como fez a pesquisa e analisa o discurso compartilhado por esses internautas. “O que estamos vendo é só a cultura do medo midiático passando a ter os seus próprios veículos”, diz ele. Explore as redes neste link.
Como você chegou a esse desenho das redes? O que ele representa?
É um procedimento simples em termos de pesquisa. O pesquisador cria uma fanpage no Facebook e passa a dar “like” num conjunto de fanpages ligada à propagação da violência. Em seguida, usamos uma ferramenta que identifica quais os sites que essas fanpages curtem. E, entre elas, quais estão conectadas entre si. Se há conexão entre uma página com outra, haverá uma linha. Se “Faca na Caveira” curte “Fardado e Armados˜há um laço, uma linha que as interliga. Quando fazemos isso para todas as fanpages, conseguimos identificar quais são as fanpages da violência (bolinhas, nós) mais conectadas e populares. Isso gera um grafo, que é uma representação gráfica de uma rede interativa. Quanto maior é o nó, mais seguida é a página para aquela turma. No grafo, “Polícia Unida Jamais será vencida” é a página mais seguida pela rede. Não significa que ela tem mais fãs. Significa que ela é mais relevante para essa rede da violência. Mas a ferramenta de análise me permite ver mais: quem são as páginas mais populares no Facebook, o que elas publicam, o universo vocabular dos comentários, a tipologia de imagens que circula etc.
O que você queria ver quando pesquisou esse tema? E o que achou de mais interessante?
Pesquisei durante apenas uma semana para testar o método de extração de dados. Descobri que o Labic, laboratório que coordeno, pode ajudar na construção da cultura de paz nesse país, desvelando os ditos dessas redes, que estão aí, lotadas de fãs e públicas no Facebook. Assustei-me em saber a ecologia midiática da repressão no Facebook, em função da agenda que esses sites estabelecem.
Primeiro há um horror ao pensamento de esquerda no país. Isso aparece com inúmeros textos e imagens que satirizam qualquer política de direitos humanos ou ligadas aos movimentos sociais. Essas páginas funcionam como revides à popularização de temas como a desmilitarização da Polícia Militar ou textos de valorização dos direitos humanos. Atualmente, muitas dessas páginas se articulam em função da “Marcha pela Intervenção Militar”. Um de seus maiores ídolos é o deputado Jair Bolsonaro.
Após os protestos no Brasil, a estrutura de atenção dos veículos de comunicação de massa se pulverizou, muito tráfego da televisão está escoando para a internet, o que faz a internet brasileira se tornar ainda mais “multicanal”, com a valorização de experiências como Mídia Ninja, Rio na Rua, A Nova Democracia, Outras Palavras, Revista Fórum, Anonymous, Black Blocs. São páginas muito populares. Mas não estão sozinhas. Há uma guerra em rede. E o pensamento do “bandido bom, bandido morto” hoje se conformou em votos. Esse pensamento foi capaz de construir redes sociais em torno dele.
A despolitização, a corrupção, os abusos de poder, a impunidade, estão na raiz da força alcançada por essas redes da violência e da justiça com as próprias mãos. E não tenho dúvida: essas redes, fortes, vão conseguir ampliar seu lastro eleitoral. Vão ajudar na eleição de vários políticos “linha dura”. Em parte, o crescimento dessas redes se explica também em função de forças da esquerda que passaram a criminalizar os movimentos de rua e ficaram omissas a um conjunto de violações de direitos humanos. O silêncio, nas redes, é resignação. O que estamos vendo é só a cultura do medo midiática passando a ter os seus próprios veículos de comunicação na rede.
Você escreveu que “é bom conhecer e começar a minerar todos os conteúdos que são publicadas nelas.” Por que?
Porque é preciso compreender a política dessas redes e seus temas prioritários. Instituir um debate por lá e não apenas ficar no nosso mundo. É preciso dialogar afirmando que uma sociedade justa é a que produz a paz, e não uma sociedade que só obedece ordens. Estamos numa fase de mídia em que se calar para não dar mais “ibope” é uma estratégia que não funciona. É a fala franca, o dito corajoso, que é capaz de alterar (ou pelo menos chacoalhar) o discurso repressor.
É interessante, ao coletarmos e minerarmos os dados, notar que muitas dessas páginas articulam um discurso de Ode à Repressão com um outro pensamento: o religioso, cujo Deus perdoa os justiceiros. Isso se explica porque ambos são pensamentos em que o dogma, a obediência, constituem valores amplamente difundidos. Para essas redes, a defesa moral de uma paz, de um cuidado de si, viria da capacidade de os indivíduos manterem o estado das coisas sem qualquer questionamento, qualquer desobediência.
No lugar da Política enfrentar essas redes, para torná-las minoritárias e rechaçadas, o que vemos? Governantes que passam a construir seus discursos e práticas em função dessa cultura militarizada, dando vazão a projetos que associam movimentos sociais a terrorismo. Daí há uma inversão de valores: a obediência torna-se o valor supremo de uma democracia. E a política acaba constituindo-se naquilo que vemos nas ruas: o único agente do Estado em relação com os movimentos é a polícia.
O grafo mostra as relações entre os diversos nós dessa rede. Mas e se a gente quiser saber o que essas redes conversam? As PMs estão no centro de vários debates importantes hoje: o tema da desmilitarização. A repressão às manifestações. O assassinato de jovens pobres, pretos, periféricos. Esses nós conversam sobre essas coisas? Em que termos?
Sim, esses nós se republicam. Tal como páginas ativistas se republicam, tais como páginas de esporte se republicam. Todo ente na internet está constituindo numa rede para formar uma perspectiva comum. As ferramentas para coletar essas informaçoes públicas estão muito simplificadas e na mão de todos. Na tenho dúvida que as abordagens científicas das Humanidades serão cada vez mais centrais, pois a partir de agora o campo das Humanidades lidará com milhões de dados. É uma nova natureza que estamos vendo emergir com a circulação de tantos textos, imagens, comportamentos etc.
Você escreveu que “os posts das páginas, em geral, demonstram o processo de construção da identidade policial embasada no conceito de segurança, em que a paz se alcança não mediante a justiça, mas mediante a ordem, a louvação de armamentos e a morte do outro.” Pode dar exemplos de como isso aparece? E por que isso é grave? Afinal, na visão dos defensores e admiradores da polícia, as posições que defendem dariam mais “paz” à sociedade.
Sábado, 8 de março, foi o Dia Internacional da Mulher. Uma das páginas, a Faca na Caveira, deu parabéns às mulheres guerreiras. Mas mandaram as feministas se foderem. O post teve 300 likes em menos de meia hora e na tarde de domingo tinha 1473 likes. A paz só será alcançada com ordem e obediência, dizem. No fundo, essas redes revelam-se como repressoras de qualquer subjetividade inventiva. Por isso, são homofóbicas e profundamente etnocêntricas de classes. É uma espécie de decalque do que pensa a classe média conectada no Brasil, que postula que boné de “aba reta” em shopping é coisa da bandidagem.
Em Vitória, onde resido, em dezembro de 2013, centenas de jovens que curtiam uma roda de funk nas proximidade de um shopping tiveram que entrar nesse recinto para fugir da repressão da polícia, que criminaliza essa cultura musical. Imediatamente foi um “corre-corre” no centro comercial. Os jovens foram todos colocados sentados, sem camisa, no centro da Praça de Alimentação. Em seguida, foram expulsos em fila indiana pela polícia, sob os aplausos da população. Depois, ao se investigar o fato, nenhum deles tinha qualquer indício de estar cometendo crime. Essa cultura do aplauso está na rede e é forte. É um ódio à invenção, à diferença, à multiplicidade. É por isso que a morte é o elemento subjetivo que comove essa rede. Mostrar possíveis criminosos mortos, no chão, com face, tórax ou qualquer outro parte do corpo destruída pelos tiros, é um modo de reforçar a negação da vida.
Essas redes conversam com outras redes não dedicadas especificamente à questão das PMs? Vi, por exemplo, que tem um “Dilma Rousseff Não”, um “Caos na Saúde Pública” e um “Movimento Contra Corrupção”. Que ligações as pessoas ali estabelecem entre esses temas?
Sim, são páginas que se colocam no campo da direita mais reacionária do país. Mas isso também é um índice da transmutação do conservadorismo no Brasil. Infelizmente, o controle da corrupção se tornou um fracasso. Essa condição fracassada alimenta a despolitização. E a despolitização é o combustível para essas páginas. Mas a despolitização não é apenas um processo produzidos pelos “repressores”, mas por sucessivos governos mergulhados em escândalos e que são tecidos por relações políticas absolutamente cínicas em nome de alguma governabilidade.
Fonte: Outras Palavras
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